Após ameaça, especialista defende que solução está na mediação de conflitos

Após ameaça, especialista defende que solução está na mediação de conflitos.


Para especialista, a ameaça de um novo ataque contra estudantes, realizada por um aluno da Etec (Escola Técnica Estadual) José Martimiano da Silva, de Ribeirão Preto, é reflexo da falta de investimentos na resolução de conflitos dentro das escolas e, também, é um efeito de imitação, em decorrência do ataque ocorrido na semana passada, contra uma escola de Suzano, na Grande São Paulo.  

 

O coordenador do Grupo do Observatório de Violência e Práticas Exemplares, da USP (Universidade de São Paulo), o psicólogo Sérgio Kodato,  afirma que os professores têm que estar atentos com os assuntos problemáticos do dia a dia dos alunos e, ainda, defende que as escolas devam promover a discussão sobre o bullying e como preveni-lo. 

 

Kodato acredita que novas técnicas de mediação dos conflitos internos do ambiente escolar, seja entre os próprios alunos ou entre estudantes e professores, devam ser adotadas com mais afinco pelas escolas.

 

\"Nós achamos que os alunos podendo se manifestar, dizer que estão com raiva, querendo bater, querendo matar, eles não chegam as vias de fato. Isso a psicologia já ensinou. Sempre que você utiliza canais de expressão para externar esses sentimentos, isso ajuda a evitar que eles se concretizem\", pontua o psicólogo. 

 

\"Não adianta instalar câmeras para tudo qualquer lado, e as escolas não terem nem acesso a internet para o ensino. É apostar mais no fator humano\", define o especialista.  

Reflexos

 

O especialista também aponta que a ameaça pode ser uma forma de repercussão de como o massacre de Suzano foi abordado pelos veículos de comunicação. Kodato critica o espaço dado aos assassinos e a forma como eles planejaram o ataque.   

\"O modus operandi desses crimes dão uma pista para esses caras [que realizam as ameaças] seguirem pelo mesmo caminho. O foco nos assassinos faz, de uma forma, ou de outra, que eles sejam glorificados. Todo mundo que quer aparecer acaba recebendo isso como um modelo\", analisa o especialista. Para o professor, o foco deveria ser nas vítimas, caso ocorram, ou nas pessoas que lutam para evitar que as tragédias aconteçam.  

 

O caso ? 

Na noite de domingo (17), o diretor da Etec José Martimiano da Silva registrou um BO (Boletim de Ocorrência) relatando que um estudante do colégio fez ameaças em um grupo de Whatsapp de que poderia realizar um ataque na escola nesta segunda-feira (18).  

 

A PM (Polícia Militar) foi até a casa do jovem e encontrou no local, além de roupas camufladas e uma touca na casa do estudante. Ainda, foi apreendida uma caixa vazia de um simulacro de arma de fogo. De acordo com o BO, após ser indagado, o adolescente teria declarado que tudo seria uma brincadeira.  

 

Por meio de nota, o Centro Paula Souza, responsável pela Etec, esclarece que, por norma de segurança, diariamente os alunos são identificados ao entrar na escola e que nesta segunda-feira, uma viatura policial está diante da unidade para garantir a segurança da comunidade acadêmica.


Leonardo Santos | ACidadeON/Ribeirao


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